segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sem título



As horas flutuam pendular e constante,
Sem pausas para apoiar o peso,
Sem cadeado para selar sua corrente...
Elas não se escondem em armários.
Para elas, nada está estático.
Seu tic-tac, tic-tac que cavalga para além.
Sapateia ao ar,
Em sua absurda dança harmônica.

Pois o tempo debocha dos tiranos
E seguirá derrubando impérios e seus castelos...
O tempo simplesmente observa:
A queda da covardia,
A precipitação das estações,
A acusação do indicador ereto
Em mãos esquizofrênicas
Que julga a todos para abafar a consciência da própria frustração.

Por isso,
Se voar preciso for;
Asas ao prumo e segue teu rumo.
Pois o reflexo reluzente das migalhas ao chão
Não é o teu espelho.
Pois para as horas e para o tempo
Todo fôlego se renova,
Quando o horizonte acorda
E os olhos voam para buscar o mundo.

E por esses motivos,
Ludibriei,
Despi,
Currei e deflorei todas as lógicas.
E já não consigo me lembrar do exato momento
Em que percebi que a verdade é um mutante
Que não aceita coleiras nem gargantilhas.
E que a vida simplesmente vibra em seu enigma,
Onde o amor não está em paz até que seja em espécie,
Nas labaredas da alta noite,
Quando o fogo apaga a luz.

Alexandre do Canto